O Facebook está perto de chegar a um acordo com autoridades americanas sobre a privacidade dos dados de usuários da rede social, que é alvo constante de acusações de exposição indevida de informações dos usuários cadastrados. Segundo o The Wall Street Journal, pelo acordo, o Facebook terá de emitir comunicados oficiais antes de realizar “mudanças retroativas nas regras” de privacidade. A medida, que aguarda aprovação final da Comissão Federal do Comércio, prevê também que o site passe por auditorias independentes de privacidade nos próximos 20 anos.

A discussão é uma resposta às reclamações apresentadas pela comissão em 2009 e 2010. Na época, o Facebook foi acusado de alterar regras de privacidade na rede e expor informações pessoais para aplicativos de desenvolvedores independentes e anunciantes sem um aviso claro aos usuários.
O exemplo mais recente dessa prática aconteceu em abril de 2010, quando dados como nome, profissão, cidade, lista de amigos e álbum de fotos passaram a ser considerados públicos – cabia ao usuário visitar a página de configuração de sua conta e redefinir entre 36 opções quais dados seriam preservados. Resumindo: todos os conteúdos passaram a ser acessíveis aos demais usuários do serviço.
Em 2007, quando o Facebook tinha apenas três anos de vida, Mark Zuckerberg, seu criador e CEO, já havia sinalizado a estratégia de exposição permanente com a criação do Facebook Beacon, recurso já desativado que apresentava propagandas direcionadas a usuários. O serviço foi acusado de violação de privacidade. Semanas após o lançamento, seu fundador apresentou um pedido de desculpas.

Se o acordo com as autoridades americanas for mesmo selado, resta saber qual será o efeito disso sobre o negócio do Facebook. Afinal, quanto mais dados públicos expostos, maior é a capacidade da rede de mapear hábitos e preferências de usuários – o que vale ouro para anunciantes, que, afinal, pagam as contas do Facebook.











